Por Salus Loch
O Auditório Dom Antônio Zattera, em Pelotas, foi o cenário de uma discussão que transcendeu as métricas financeiras tradicionais na noite de 11 de junho. O Fórum Regional do Instituto Unimed/RS trouxe para o centro do debate o ESG (Meio Ambiente, Social e Governança), provocando uma reflexão profunda sobre como as organizações podem equilibrar a saúde econômica com a responsabilidade socioambiental.
Para mais de 90 presentes, a jornalista e escritora Giuliana Morrone conduziu o painel, “Mitos e Verdades sobre o ESG”, baseado em sua pesquisa sobre o tema. Morrone não poupou críticas às práticas superficiais, defendendo que a sustentabilidade exige uma ruptura com modelos arcaicos. “O ESG não é um acessório ou um conjunto de práticas isoladas, mas uma transformação mental inadiável nas lideranças”, provocou a palestrante.
O compromisso das lideranças
Para o presidente da Unimed Pelotas, Maurício Goldbaum Jr., o evento reafirmou que a ética e a sustentabilidade são os pilares que fundamentam a longevidade das instituições. Goldbaum destacou: no cooperativismo, a responsabilidade social já é um valor nativo. “O ESG pode ser traduzido como a forma pela qual a instituição se relaciona com a sociedade e constrói seu futuro”, resumiu o dirigente.
O pensamento foi endossado pelo presidente do Instituto Unimed/RS, Alcides Mandelli Stumpf, que ressaltou a importância de separar o discurso da prática efetiva. Stumpf enfatizou que a aproximação entre instituições e a busca por uma governança transparente, atenta aos pilares ambientais e sociais, são passos determinantes para que as organizações cumpram seu papel como agentes de transformação.
Entre a teoria e a prática
Durante o encontro, Giuliana Morrone destacou pontos cruciais para a compreensão do cenário atual:
• Modelo sistêmico: A necessidade de superar a visão mecanicista para adotar um modelo que valorize o bem-estar social e a preservação ambiental.
• Combate ao Greenwashing: O alerta contra estratégias que distorcem ou ocultam a realidade das práticas sustentáveis para obter vantagens de imagem.
• Protagonismo brasileiro: O potencial do Brasil em liderar a economia global sustentável, desde que haja ações concretas para proteger sua biodiversidade.
Solidariedade em campo
O Fórum também deu um exemplo prático do pilar “Social” ao transformar o conhecimento em auxílio. O acesso ao evento foi viabilizado pela doação de alimentos não perecíveis, resultando em um montante destinado ao Sesc Mesa Brasil, rede que atua no combate à fome e ao desperdício.
A noite em Pelotas deixou claro que o ESG não é mais uma escolha, mas o único caminho viável para empresas que pretendem ser relevantes em um futuro que já começou.