Além dos manuais: Curso de Libras promove encontro com 11 convidados surdos

Além dos manuais: Curso de Libras promove encontro com 11 convidados surdos
Por Salus Loch
 
Aprender Libras é, antes de tudo, um ato de cidadania. Mais do que uma técnica de comunicação, o domínio da Língua Brasileira de Sinais — reconhecida legalmente desde 2002 pela Lei nº 10.436 — é ferramenta para quebrar barreiras que, por décadas, isolaram a comunidade surda. Ao compreender essa língua, garante-se que o cidadão surdo seja respeitado em sua plenitude, evitando que o silêncio se torne sinônimo de exclusão em escolas, empresas e serviços públicos.
Foi com essa consciência que, no dia 16 de junho, o auditório da sede da Unimed Federação/RS deixou de ser um espaço de teoria para se tornar um palco de coreografias silenciosas. No oitavo encontro de uma jornada de dez, o curso de Libras promovido pelo Programa Diversa do Instituto Unimed/RS, em parceria com o Gestão de Pessoas da Unimed Federação/RS, deixou de lado os manuais para dar lugar ao pulsar da vida real. Sob o olhar atento da Prof. Vânia, a porta se abriu para 11 convidados especiais: pessoas surdas que traziam consigo a urgência da presença. Para os alunos, o desafio era claro: romper a barreira do “ouvir” para aprender a “enxergar”.
 
A dança das mãos e o brilho nos olhos
O que se viu não foi apenas uma atividade prática; foi um exercício de humanidade. As mãos, que antes buscavam timidamente a forma correta de um sinal, passaram a cortar o ar com confiança. Onde as palavras falhavam, o corpo falava. O silêncio da sala era preenchido por uma comunicação vibrante, feita de expressões faciais acentuadas e toques que validavam a existência do outro.
Relatos sensíveis começaram a emergir. Histórias de superação e da beleza de ser compreendido sem precisar emitir um único som. Em cada gesto, um aprendizado que nenhum livro poderia conter: a empatia em seu estado mais puro. Os alunos não estavam apenas praticando uma gramática visual; estavam mergulhando na realidade de quem habita o silêncio em um mundo desenhado para o som.
 
Inclusão que se faz na prática
A acessibilidade, tantas vezes tratada como um conceito abstrato, ganhou rosto e movimento. O aprendizado foi recíproco: enquanto os alunos buscavam fluência, os convidados ocupavam o lugar de mestres da própria experiência. Para a Analista de Responsabilidade Social do Instituto Unimed/RS, Michele Corrêa, a iniciativa reforça o compromisso institucional com a construção de ambientes mais inclusivos e acessíveis. “O curso de Libras vai muito além do aprendizado de uma nova forma de comunicação. Ele representa um movimento concreto de inclusão e acessibilidade dentro do Sistema Unimed, fortalecendo a sensibilização dos colaboradores para a diversidade e contribuindo para que pessoas surdas sejam acolhidas com respeito, autonomia e protagonismo. Por meio do Programa Diversa, buscamos promover uma cultura organizacional cada vez mais inclusiva, em que as diferenças sejam valorizadas e as barreiras de comunicação sejam transformadas em oportunidades de conexão”, destaca. Com apoio do Sescoop/RS, o encontro foi marcado pelo sentimento de que a caminhada segue cumprindo seu propósito maior. Mais do que intérpretes em formação, a sala de aula vem formando pontes.

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