Recursos serão destinados à acessibilidade e à viabilização de nova Gibiteca
Por Salus Loch
No Salão Mourisco da Biblioteca Pública do Estado (BPE), onde o peso da história costuma repousar em silêncio sobre as estantes de madeira nobre, o som da tarde de quarta-feira, 21 de janeiro, foi outro: a celebração do renascimento. Entre os afrescos centenários, a assinatura de um termo de doação de R$ 1 milhão pelo Banrisul representou a consolidação de um movimento de resgate liderado pela sociedade civil organizada.
Embora o recurso venha do braço financeiro do estado, o coração da operação pulsa na Associação de Amigos da Biblioteca Pública do Estado (AABPE). A entidade, que será a gestora direta do montante, reafirmou seu papel como o elo que permite à centenária instituição projetar-se para o futuro.
Gratidão e reconhecimento
O momento mais denso e carregado de simbolismo ocorreu durante a fala do presidente da AABPE, Alcides Mandelli Stumpf, que não se limitou ao protocolo. Ao agradecer à diretora da BPE, Ana Maria de Souza, pela condução técnica que fez os empréstimos de livros saltarem 120% em um ano, ao secretário de Cultura do RS, Eduardo Loureiro, pelo empenho, e ao presidente do Banrisul, Fernando Lemos, pela “sensibilidade inédita e compromisso institucional”, o dirigente fez um resgate histórico fundamental.
Stumpf sublinhou que a vitalidade da Associação — e, por consequência, a viabilidade do aporte milionário — tem raízes no trabalho de Gilberto Schwartsmann. Ele lembrou que foi sob a liderança de Schwartsmann que a AABPE foi retomada e ganhou “nova vida”, com impacto direto e transformador no cotidiano da Biblioteca.
“Este é um momento mágico. Estamos vivendo o renascimento da BPE, mas é preciso lembrar que essa caminhada começou quando Gilberto Schwartsmann reergueu a Associação, devolvendo‑lhe o protagonismo necessário para que hoje pudéssemos estar aqui, ao lado de parceiros fundamentais como o Banrisul, do presidente Fernando Lemos, selando este destino”, pontuou Stumpf.
Costura institucional: o papel de Beatriz Araújo
A presença de Beatriz Araújo no evento, agora como diretora-geral do Banrisul Cultural, serviu como um lembrete da continuidade de uma política de estado voltada à valorização do patrimônio. Ex-secretária da Cultura, Beatriz foi citada por Stumpf como a arquiteta de uma visão que entende a cultura como motor de reconstrução social — um legado que agora se materializa através do apoio do banco.
O secretário da Cultura, Eduardo Loureiro, reforçou essa visão, destacando que, em tempos de desinformação, a BPE se ergue como um farol de fontes qualificadas.
Acessibilidade e nova Gibiteca
O recurso de R$ 1 milhão será traduzido em experiência multissensorial. O plano de ações, detalhado pela diretora Ana Maria de Souza, foca em transformar a BPE em um espaço com:
Acessibilidade Universal: Instalação de maquetes táteis, videolibras, comunicação em linguagem simples para neurodivergentes e adaptações de obras para que a arte possa ser “lida” com as mãos.
A nova Gibiteca: O espaço ganhará cores, grafites e um mobiliário moderno, visando atrair o público jovem e revitalizar o acervo em Braille.
Tecnologia de ponta: A implementação de 10 mil etiquetas RFID e totens de autoatendimento colocam a instituição gaúcha no mesmo patamar de modernização das grandes bibliotecas internacionais.
Saiba mais
Localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, a BPE registrou, em 2025, 54.170 visitantes e 11.998 empréstimos de livros e quadrinhos, um acréscimo, respectivamente, de 55% e de 120% em relação ao ano anterior. Também foi registrado o ingresso de 1.247 novos sócios-leitores da BPE no último ano, um crescimento de 70% com relação a 2024.