Nem sempre a gravidez é uma decisão, mas quando é, precisa ser tomada de forma consciente. Foi para chamar a atenção do público adolescente para esta questão que, em 2008, surgiu o Projeto Semeando Sonhos, conduzido pelo Instituto Unimed Erechim. Da implantação até a publicação desta matéria, quase seis mil estudantes, do 9º ano do ensino fundamental ao 1º ano do ensino médio, já haviam participado das atividades que falam abertamente sobre educação sexual. O resultado tangível aponta redução 5% no percentual de adolescentes grávidas no município de Erechim. E o intangível indica uma mudança de mentalidade que pode até mesmo quebrar ciclos de gerações marcadas por gestações não planejadas. Conforme a coordenadora do Instituto Unimed Erechim, ginecologista Ana Beatriz Cosel Zampieri, a gravidez na adolescência é definida como a gestação que ocorre entre os 10 e 19 anos. “Nessa idade, a menina ainda não está formada psicologicamente, nem preparada biologicamente, pois seu corpo está se preparando, amadurecendo neste período. É um momento de desenvolvimento físico e social, pois está deixando de ser criança para se tornar um adolescente”, explica. Quanto a queda nos percentuais de adolescentes grávidas no país, Ana Beatriz é cautelosa: “Houve mesmo, porém a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que a taxa no Brasil ainda é maior do que a média na América Latina. Estamos falando de Venezuela, Colômbia, Paraguai. Isso coloca em xeque nossas políticas públicas sobre o assunto”, avalia. No Chile, a taxa de gravidez adolescente é de 40 nascimentos para cada 1 mil meninas. No Brasil, esta taxa sobre para 68,4. Enquanto nos Estados Unidos, cai para 23, e no Canadá para 10. “Isso acaba indo de encontro aos desafios do milênio em sustentabilidade. A gente acha que a gravidez na adolescência é muito pontual. Só que não é assim. Trata-se de um problema universal”, enfatiza. Conforme a médica, embora hoje a informação seja mais disseminada em ambientes como o escolar, dentro da família o assunto ainda é tabu. “A maioria acha que o problema é da porta para fora. Mas não é o que acontece. A menina fica desamparada dentro da própria casa. Essa falta de informação acaba ocasionando a gravidez na adolescência”, reforça. Além de diminuir percentuais de gestantes precoces, há outro índice preocupante: o da mortalidade materno infantil. Conforme o Ministério da Saúde, embora a mortalidade materna no Brasil tenha caído 58% entre 1990 e 2015, ainda são registrados 60 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Todos os índices corroboram para a importância de medidas educativas e preventivas. O Projeto capitaneado pela Unimed Erechim está concentrado em trazer entendimento aos estudantes, para que possam semear seus sonhos futuros e concretizá-los. “Esse grau de sensibilização faz uma enorme diferença para quebra um ciclo vicioso, onde adolescentes engravidam e deixam de estudar. Sem estudar, talvez nem trabalhem e se trabalharem terão um salário reduzido. O que acontece é que a criança irá participar disso e a pobreza vai se perpetuando com poucas perspectivas futuras”, atenta.

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